segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A liberdade e o voo da racionalidade: O pássaro e a consciência



A ignorância cria um mundo particular que aprisiona as pessoas, e ao mesmo tempo as isolam de um mundo de razão. Mas, ainda, é esse mesmo mundo particular que as protege de possíveis incidentes que porventura viriam a surgir na vida dessas pessoas. Assim como uma gaiola isola e protege um passarinho para que ele não sirva de alimento para os gatos é essa mesma gaiola que não deixa o pássaro voar livre no céu. Temos como exemplo a música Epitáfio, interpretada pelo grupo Titãs, que diz que “enquanto eu andar distraído / O acaso vai me proteger”. Onde “andar distraído” é uma forma inconsciente de ignorância.

Será que isso é bom? Privar-se da liberdade de movimentos e de conhecimentos. Será que é válido se aprisionar mutilando-se física e racionalmente para se proteger? Ou, ainda, seria válido que alguém resolvesse amputar as duas pernas sadias para que, posteriormente em um possível acidente automobilístico, não fique paraplégico? Isso significa privar-se de um direito universal por puro medo de assumir os riscos
e possibilidades do seu destino. E logo, essa é uma forma de buscar por meios contraditórios um modo de escapar de possíveis eventualidades, mesmo que improváveis. Portanto, negando-se a todas as opções de se descobrir e privando-se na total ignorância. Sendo essa surgida da ausência da liberdade, do sentir, do viver, do amar, do partir, do experimentar, do aprender, do saber, do acertar e, claro, do errar para
acertar.

Na falta de realização dessas experiências, das quais possibilitariam a liberdade por meio de sua efetivação, ao contrário de produzir liberdade cada uma se tornará mais um cadeado que irá trancar a gaiola e restringir o voo do pássaro. Pois, entende-se que tudo aquilo que, quando presente, proporciona liberdade, na ausência será mais um causador do encarceramento do indivíduo.

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