Pequeno Trabalhador

Na manhã de sábado, véspera de Natal de 2015, chorei, ao ver um menino, que sequer media estatura de um metro, com cerca de 10 anos, ele vendia paçoca e amendoins nos coletivos do TRANSCOL. As suas mercadorias levadas numa cesta em alças duplas, pesavam-lhe mais do que poderia suportar. Mau conseguia levantar a cesta do piso. No interior do ônibus arrastavá-a, mas quando desembarcara, pelas ruas seu corpo formava a envergadura de um arco, tamanha força era o peso do material que carregava. Do meu rosto não caiu sequer uma lágrima, porém minha alma chorava como nunca havia feito. Tive que pergunta-lhe por que vende isto? E ele respondeu: É para sustentar a casa. E os seus pais, estão aqui por perto? Não, eles também estão vendendo agora. Mas, por que você não diminuí o peso, tira alguns pacotes de paçoca da cesta; passe a levar menos material? Não, posso, pois a paçoca é o que vende mais. Irredutível, e com um sorriso no rosto, foi embora, curvado, suado, mas feliz.

Ajudei-o a atravessar a rodovia Norte Sul, na altura da Praça de Laranjeiras, Serra (ES) com minh’alma em prantos, disse apenas boa sorte e bom trabalho!

Eu estava alí fisicamente, mas minha mente voltara a aproximadamente uns vinte cinco anos, quando eu mesmo, com cerca de 12 anos de idade, juntava latinhas e garrafas; e também saia pelas ruas vendendo picolés em Cariacica Sede; minha mente voltara aos assaltos e agressões que sofri nos meus dias de vendedor mirim, minha alma voltara as ameaças de morte e as queimaduras de cigarro; feridas abertas na alma, doeram, chorei.

O seu rosto sorria, mas minh’alma chorava.

Ele foi continuar o seu trabalho de vendedor, mas nunca esquecerei aquela visão do passado de mim mesmo, diante meus olhos. Visão de um pequeno trabalhador.

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