domingo, 13 de agosto de 2017

Aonde o rio me levar - Ibiapaba.

Hoje, sentado à beira deste filete de águas de rio morto, morto pelos homens, penso que antes, melhor seria se fosse abandonado por eles, pois o Tempo o trataria com amor e curaria as suas feridas; antes  melhor seria ser abandonado por todos do que continuamente maltratado, drenado, descoberto, desabitado, à beira da morte seca. Morte de rio.

Quando um rio morre, nasce um vale, Vale de Ossos. E depois vem a desertificação dos seus arredores. A Morte vem para os peixes e animais silvestres; vem para fauna e ribeirinhos. A morte vem para todos, pois não há vida sem água. Não há vida sem Rio.

Recordo-me que ainda ontem estávamos nós reunidos aos pés da velha ponte, próximo ao velho engenho de Ibiapaba e as águas do rio estavam baixas. Talvez, fosse verão, quem sabe outono, nunca me atentava para as estações naquela época. Lembro que adorávamos subir no grande Ingazeiro que passava com seus galhos sobre o saudoso e querido Rio de Ibiapaba. Ainda trago na memória que subíamos na árvore para colher ingá, fruto muito raro na região, pois esta era a única árvore deste fruto em toda a fazenda de Ibiapaba. O fruto da árvore é muito saboroso. E o rio possuía águas doces e claras; calmas e silenciosas. Assim o eram!

Também lembro das goiabeiras que circundavam a ponte, bem ali pertinho do ingazeiro, pareciam namorá-lo com os seus frutas rosadas e deliciosas. Lembro-me bem que havia uma goiabeira, a Gertrudes, que em tudo concorria com o velho Ingá, pois era tão grande quanto ele e assim como ele também cobria às águas, passando por sobre o rio e abraçando o velho ingazeiro.

Todos nos reunimos a sombra destas lindas grandes árvores e com seus frutos maravilhosos; perfeitas demonstrações de como a natureza nos quer bem.

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